sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Hora de Ligar os Pontos


Voilá! Já temos os personagens de nossa novela da vida real. Como de costume, esta coluna propõe ao leitor o desafio de identificar quem é quem no "BBB 11".

Brothers: A) Adriana B) Daniel C) Diana D) Diogo E) Janaina F) Jaqueline G) Lucival H) Maria I) Maurício J) Natalia K) Paula L) Rodrigão M) Talula N) Wesley

Características:

1) A despudorada: troca de roupa e de homens sem o menor constrangimento.

2) O cômico: brejeiro e irreverente, proporciona os momentos mais engraçados.

3) A manipuladora: manipula votos e estabelece complôs, com a maior cara de amiga.

4) O chato: inconveniente e intenso, quer aparecer sozinho e para isto sufoca os demais.

5) A descolada: esperta, despojada e ousada, flutua por todos os ambientes.

6) O político: acredita ser popular e faz média com o público pedindo para reciclarem o lixo.

7) A donzela: faz o tipo inocente atrás do príncipe encantado para agradar o povão.

8) O enfeite: a mais bela samambaia da história do "BBB".

9) A organizada: investigativa e criteriosa, faz pose de durona, mas é frágil.

10) O observador: atento ao movimento dos adversários, aguarda o momento para o ataque.

11) A traumatizada: complexada e com baixa autoestima, esbanja falsa e excessiva simpatia.

12) O ácido: faz comentários maldosos bem estruturados para destruir os oponentes.

13) A escudeira: guerreira que ofereceu lealdade em troca de proteção.

14) A solícita: capaz de dormir com o inimigo para não desagradar ninguém.

Resposta: 1-H; 2-B; 3-M; 4-D; 5-C; 6-I; 7-A; 8-L; 9-J; 10-N; 11-E; 12-G; 13-F e 14-K

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A infecção no 'BBB'


Iniciou-se um movimento sem precedentes na história do Big Brother: a infecção. A redoma do confinamento, que era um ambiente supostamente estéril, não-contaminado por fatos ou eventos externos, recebeu um agente infectado, Maurício. Influenciado por opiniões e pela paixão de admiradores e invejosos, ele precipitou uma cascata de eventos que trouxe um contorno novo, obscuro e interessante ao BBB11. A volta do participante coincidiu com a fim da guerra fria em Curicica e os conflitos bélicos agora são diretos e reais.

Embora a falta de entusiasmo com o programa tenha sido até agora o assunto preferencial da crítica especializada, seus produtores já podem respirar aliviado: existe uma narrativa densa, potencialmente capaz de superar todas as edições anteriores, mas que para vingar ainda dependerá da opinião das massas - as maiores sabotadoras da história dos reality shows.

Com a alta popularidade do modelo Rodrigão, o Big Brother vive o "efeito Daniel Bueno", o belo participante de "A Fazenda 3" que ganhou o prêmio sem envolvimento com os conflitos do confinamento em 2010. Por projeção, as massas parecem preferir jogadores de boa aparência com atitude de esquiva: desejam-nos fisicamente (ser como eles, ou então possuí-los), e não querem se comprometer. Possivelmente porque sustentar opinião custa caro e raciocinar dá dor de cabeça. A produção do BBB ajuda Rodrigão neste aspecto, por exemplo, com roupas inspiradas no visual da "família Restart" para as festas - os adolescentes são bons para render votos pela internet. Aguardemos uma capa da revista Capricho vindo aí.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Dr. Marcelo na twitcam do Jornal Extra


O psiquiatra Marcelo Arantes, ex-‘BBB 8’, dá entrevista no Twitter: ‘Não voltaria ao programa. Prefiro ver e comentar aqui fora’


Marcelo Arantes, o psiquiatra do "Big Brother Brasil 8" e colunista do SESSÃO EXTRA (ele assina a coluna "BBB no Divã", publicada todas as quintas-feiras na página 3 do caderno e postada no site Extraonline) participou hoje do Sessão Twitta, que rolou ao vivo na Twitcam do Sessão Extra. Na entrevista, comandada pela repórter Aline Conde, ele falou sobre a edição do programa da qual participou e garantiu que não voltaria ao confinamento do programa de jeito nenhum:

"Não voltaria ao programa. É uma coisa pra uma vez na vida só. Prefiro ver e comentar aqui fora".

O relacionamento com Giselle Soares, que lhe fez companhia no "Big Brother Brasil 8", foi assunto também. "Perdi contato completamente. Nunca mais ouvi a voz dela, faz dois anos já desde a última vez que nos falamos", contou Marcelo, que listou André Gabeth, Priscila Pires, Sabrina Sato, Marcela Mama e Dourado como os personagens mais marcantes que já passaram pela casa do "Big Brother Brasil".

Ainda no Sessão Twitta, Dr. Marcelo falou sobre a Casa de Vidro, que está instalada no Shopping Via Parque, na Barra, Zona Oeste do Rio, e apostou em quem pode voltar ao programa:

"A princípio, Ariadna. Mas com essa história de Maria e Wesley, acho que Mau Mau pode voltar. As pessoas querem ver o circo pegar fogo. E se o Mau Mau voltar ele tem muitas chances de ganhar".

Psiquiatra da rede pública do Rio, Marcelo contou sobre seu dia a dia: "Atendo de 30 a 50 pessoas por dia, em média. As pessoas entram no consultório e ficam surpresas, mas na maioria das vezes demoram a sacar (que ele é um ex-BBB). Muita gente acha que já fui professor. 'Ah, você foi meu professor?', muitos me perguntam. E já aconteceu muitas vezes também de eu estar falando e a pessoa interromper: 'Posso te fazer uma pergunta? Você é o cara do 'BBB' ?".

Como não poderia deixar de acontecer, Marcelo analisou alguns dos participantes do "Big Brother Brasil 11". Confira abaixo!

Lucival e Daniel - "O Lucival é um excelente jogador, nada que ele fala é por acaso. Já o Daniel é um palhaço".

Diana - "Ela se esforça. É um pouco infantilóide. Não que isso seja ruim. Se olhar isolado, é legal. É inédito, nunca aconteceu antes no 'Big Brother' alguém com essa característica. Ela tem uma forma muito dela. Carisma ela tem, só não consegue demonstrar isso. Tenho carinho pela Diana, ela deve render alguma coisa, sim".

Talula - "Ela tem uma coisa de máfia, é uma excelente jogadora".

Jaqueline - "Tem potencial. Ela promete uma coisa na mesma linha que a Sol (do 'BBB 4') fez quando brigou com a Mama. Hoje ela é fraca, mas ela era bem mais fraca antes. Eu gosto dela".

Janaina - "Ai, gente... Eu sempre implico com uma pessoa a cada 'BBB'. E esse ano é ela. A Janaina tem um problema muito grande de autoestima. Ela tem problema com cor, ela não se aceita. Ela tenta mostrar que é da negritude, mas ela é racista. Aquela bonequinha que ela carrega é ela. Ela frágil, que está ali para ser cuidada, para todo mundo olhar e falar 'ah, que coisa linda, bilu, bilu'. E nada além disso".

Ariadna - "Acharia o máximo que uma trans ficasse com alguém lá dentro. Mas acho que isso não vai acontecer. Só se for o maluco do Diogo, ele é o cara mais ousado".

Rodrigão - "Ele é um homem muito vaidoso, ele é muito narcisista, nunca olhou para mulher nenhuma na casa... Isso levanta suspeitas. Mas não dá só com esses elementos levantar essa suspeita de que ele pode ser gay. E se ele for, isso não é da conta de ninguém. Deixem o Rodrigão ser estranho! Ele tem esse direito!"

Michelly - "É uma personagem intrigante. Até q ponto as histórias que ela conta são reais? Aquela história do abuso ela guardou da própria família a vida toda e contou lá na casa só agora. E, antes de ela entrar no programa, ela falou que ia se fazer de vítima lá dentro. Ela, de todos, é a personagem mais intrigante. Mas de qualquer forma não poderia tratá-la, por questõe éticas".

Paula - "Está muito mascarada".

Para finalizar, Marcelo opinou sobre os possíveis vencedores desta edição do programa: "Uma forte candidata é Maria, que está se saindo muito bem. Wesley, que está com ela, também. E Mau Mau se voltar. Eu apostaria nesse pacote aí".

(por Ana Carolina de Souza)

Lavou, tá novo!


O "BBB" precisa, como regra, de um casal que faça o público se envolver intensamente. Dhomini e Sabrina, Alemão e Siri, Max e Fran: todos eles ganharam fã-clubes que levaram ao menos um deles à final (no caso, o homem).

Alguns jogadores deste ano aprenderam a lição, mas na ânsia de fisgar a isca mais suculenta, sem um ritual de acasalamento que convencesse o público, formaram três casais que foram rapidamente desfeitos já nas três primeiras semanas.

A entrada dos novos participantes, Wesley e Adriana, pode cumprir esta missão. A menos que quebrem seu sigilo contratual e revelem ao público, não se saberá que informação eles têm sobre o perfil dos concorrentes. Mas no circo humano isto pouco importa, o que o povo quer é diversão.

Wesley e Maria
O médico e a "viúva" têm a seu favor afinidades comuns e a bênção de Bial. Mas Talula e Jaqueline vão lutar para que a aliada forte não se transforme em um casal simpático, que elas próprias não foram capazes de criar.

Talula e Diogo
Com a concretizacao do casal Wesley e Maria, Talula pode se sentir à vontade para dar vazão ao desejo que demonstrava pelo baiano quando ainda estava com o "finado" Rodrigo.

Diana e Natália
Embora Diana seja ousada, Natália preserva-se demais e dificilmente assumiria com ela a primeira relação lésbica da história do BBB, mas não é impossível.

Rodrigão e Espelho
Prova de que aparência ajuda e conteúdo não, Rodrigão experimenta popularidade às custas de baixa rejeição, mas em nada contribui para o jogo. Corre o risco de morrer afogado feito Narciso, seduzido pela própria imagem.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Abusada da Cohab



A violência sexual infantil é algo absolutamente doloroso e incômodo em nossa sociedade, talvez por isso a maioria das pessoas evita o enfrentamento da questão.

Para quem estuda o assunto, existe o desafio em compreender o que leva a criança-vítima a se calar ou esconder a verdade dos fatos, chamada "Síndrome de segredo". Em geral é por culpa de ter interagido com o responsável ou o medo das consequências da revelação (desagregação da família, por exemplo). É comum que o abusador transfira para a criança todas estas responsabilidades, convencendo-a, por exemplo, de que se ele for para a cadeia ou sua mãe ficar magoada, a culpa será dela.

Participante eliminada do "BBB11" neste domingo, a dançarina que se auto-intilula promotora de eventos, Michelly, marcou sua passagem pelo confinamento por três eventos principais: pela chamada inicial em que dizia "Vou tentar me transformar em vítima sempre", pelo relacionamento com o confuso coreógrafo Diogo e, finalmemte, por ter revelado ao Brasil ter sido vítima de abuso sexual na infância.

Na Psicologia, alguns autores defendem que transtornos de personalidade no indivíduo adulto podem ser decorrentes deste tipo de abuso, dentre eles o Transtorno de Personalidade Histriônica. Talvez por isto conseguimos enxergar tantos traços histriônicos em Michelly: fica desconfortável se não é o centro das atenções (em festas, alcoolizada, isto é evidente), faz uso consistente de sua aparência física para chamar a atenção, tem comportamento sexual excessivamente sedutor e provocativo. Contou que se masturba com ursinhos, e nem mulheres, homens, nem a dupla sertaneja Bruno & Marrone ou o Dj André Marques escaparam de suas atitudes de sedução.

A histeria já era descrita no Egito antigo há 4 mil anos como distúrbios remetidos a uma causa uterina (vem daí o seu nome). Na antiguidade, o tratamento consistia em "fazer o útero retornar ao seu local de origem", e alguns introduziam na vagina da paciente um consolo com substâncias para que "retornasse". Já o tratamento preventivo consistia em casamento para as moças solteiras e o coito para as casadas.

O traço comum e reconhecido num indivíduo histérico é o "histrionismo", que significa teatralidade e representa o caráter exagerado como se estivesse simulando, e varia de acordo com as expectativas da plateia: mais ou menos eloquente. Os histriônicos encantam muito no início, porque são frequentemente animados, entusiasmados, demonstram franqueza e uma notável fragilidade, características estas que vão perdendo força à medida que continuam exigindo o papel de "dono da festa". São exímios sedutores, o que explica a atração-relâmpago seguida de autodestruição entre Michelly e Diogo, os participantes com mais traços histriônicos nesta edição do "BBB".

Associado ao transtorno histriônico, a Psiquiatria relaciona o transtorno factício, a mitomania, sendo comum a queixa de abuso sexual ou violência, na qual o mitômano se apresenta como vítima. As acusações podem ser inicialmente intencionais, conscientes, mas logo se transformam em convicção pelo próprio acusador. Ninguém ao certo saberá se Michelly mentiu sobre o abuso, se foi parte de sua estratégia inicial de vitimização ou se de fato o sofreu. Sua própria mãe admitiu desconhecer o problema, quando perguntada no início. Sabe-se que uma irmã de Michelly foi, sim, abusada sexualmente quando moravam num conjunto habitacional, mas o telespectador esperto pergunta se a ex-BBB não estaria adotando para si o drama da irmã com a finalidade de chamar a atenção. Verdade ou não, foi sua última cartada e não funcionou. Pior: expôs desnecessária e fatalmente a irmã, e banalizou um assunto sério que merece um cenário mais digno para discussão.

Talvez o pior momento para Michelly tenha sido mesmo sua eliminação rápida, sem holofotes, sem tempo para fazer o drama habitual. Não se sabe se terá a mesmo destino de sua "amiga" ex-BBB10 Lia Khey, que recebe até hoje apoio de pessoas com visibilidade na mídia que a promovem como se fosse uma "grande ex-BBB". É compatível? Como sua amiga, viveria na triste e aparente carreira da fama instantânea, daqueles que sobrevivem de permuta, favores a alguns fotógrafos e aproveitadores, e das famigeradas e cada vez mais desvalorizadas "presenças VIP".

Se depender unicamente de talento próprio e sem apoio psicológico, pode terminar dançando em churrascaria ou fazendo figuração em dramalhão mexicano. Veremos o que o futuro lhe espera.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Adúltera do Projac


>>> BBB no Divã:

O maior dramaturgo que o Brasil já teve, Nelson Rodrigues, se estivesse vivo, certamente acompanharia o BBB. Não pelas edições com animações feitas para agradar adolescentes viciados em videogames, mas pelo PPV. Aquele sim era um voyeur nato.

Imaginemos sua descrição das personagens. Talula, apresentada como uma "mãe romântica", tem os atributos das personagens femininas machadianas: planeja e executa as ações, toma a iniciativa, precipita os fatos. Já Rodrigo é suscetível às vontades da mulher, apaixonado, ingênuo e com uma aparente frouxa intuição. Diogo, o amante, é oportunista, capaz de dizer que ama na primeira noite, é a ilusão do começo, um novo alguém para se tentar uma nova chance.

Finalmente vemos algo dramático prestes a acontecer gradativamente aos fundos do Projac: uma traição. Deixemos as soluções moralistas de lado, o traidor aqui é o desejo.

Numa gincana de circo travestida de xadrez, em que as peças são elementos humanos e os jogadores o público e a produção do programa, não estão claro os valores que constituem o "contrato de namoro", e a traição de Talula só ocorreria se ela ela rompesse este contrato sem antes avisar Rodrigo. Como isto vai acontecer ainda não sabemos.

A Psicologia fala da traição de várias formas: não é necessário exclusivamente o envolvimento sexual com outra pessoa. Pode compreender uma mudança nos planos previamente combinados, aquilo que quebre o vínculo sem o consentimento de ambos. Anterior à traição sexual propriamente dita, ocorre a fuga no plano emocional, a recusa do parceiro, o desânimo de estar com ele, e isto já se mostra óbvio.

Por sua vez, envolvido no mistério do novo ou na fantasia do proibido, o amante surge como recomeço, promessa à rotina, gera expectativa sem cobrança. Talula frequentemente reclama de Rodrigo (às vezes pesa a mão) porque consciente sabe que deve explicações ao seu público. Provavelmente acredita que este personagem de namorado regular não convenceu, faliu, e precisa se alimentar de alguém mais carismático que ela, precisa de alguém popular para avançar, alguém que a satisfaça junto às audiências. Talula reclama que Bial não fala com ela, e de repente agora conseguiu que falasse.

Rodrigo, o quase-corno (para usar uma expressão vulgar apropriadíssima), se inteligente poderá se aproveitar da situação. Os homens costumam enxergar a traição feminina como desvio de caráter da mulher e querem se eximir de qualquer responsabilidade ou culpa.

No BBB11, o destino de Talula foi dividido entre antes e depois da festa com os sertanejos Bruno & Marrone. Desde ontem ela deixou de ser a "moldura" à qual Bial se referiu, ganhou espaço na edição e seus comentários ácidos e atitudes polêmicas não devem mais ser poupados. E a ligação com o coreógrafo baiano parece enterrar de uma vez a imagem vendida de mocinha ingênua.

Enquanto aguardamos o desfecho da história, Diogo aproveita o distanciamento de Rodrigo, chega ao balcão, abraça Talula e diz: "Minha gostosa". Talvez não saibam que na vida fora do BBB, iludidos entre sonhos e fantasias, amantes só são encantados enquanto amantes mesmo. Se mudarem o paradigma e assumirem o plano real, no qual os problemas conjugais os esperam de regra, desfaz-se a ilusão. Resta saber se o público vai perdoá-los.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As Esfinges do Programa


Listadas em três grupos de popularidade, as mulheres do "BBB 11" têm os ingredientes para devorarem os homens e se tornarem a grande atração desta edição.

EM ALTA

MARIA (foto): fortalecida após a saída do ex-futuro-namorado egocêntrico, Maurício, a doce modelo, com voz de pato e inteligência comprometida, comoveu o coração de multidões que a julgaram injustiçada numa prova de resistência.

TALULA: consegue emplacar popularidade por seu belo rosto, mas o público ainda não a viu jogando. Tem carisma e não cometeu falhas éticas com os colegas até agora, mas falta demonstrar um diferencial.

NÍVEL MÉDIO

DIANA: tem a seu favor a originalidade. Nunca houve alguém como ela no "BBB". Valente e provocadora, esta amazona lésbica é resolvida sexualmente, mas disfarça uma queda por Cristiano para ganhar o público.

MICHELLY: engraçada, entrou para jogar pesado. Precipitou-se num romance com alguém de ego maior que o seu e já assumiu que gosta de se fazer de vítima. Tenta ser a mocinha da edição, diz estar preocupada com o pai, mas está sempre envolvida em baixarias.

NATÁLIA: guerreira, inteligente e com senso de percepção apurado. Mas faltam-lhe bom humor e carisma, características do adversário que eliminou da casa, Maurício.

JAQUELINE: até então apagada na edição, a mulata escultural deu sinal de valentia ao questionar a conduta de Daniel, que brinca com todos mas não aceita que brinquem com ele.

AS REJEITADAS

PAULA: promessa de irreverência, não conseguiu cair no gosto popular até agora. Disfarça sua baixa autoestima e vive um drama: foi rejeitada por Diogo e por isso transformou-o em inimigo.

JANAÍNA: diz-se evangélica, mas faz referências constantes ao candomblé. Mostra problema em aceitação de sua cor, foge de discussões que causem polêmica, e vende uma imagem de conto de fadas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Os impulsos do baiano Diogo

>>> BBB no Divã:

A disfemia, tartamudez ou gagueira está descrita na décima edição da Classificação Internacional de Doenças e atinge em média duas milhões de pessoas no Brasil. Estudos modernos de Neuroimagem apontam como causa do problema alterações no desenvolvimento do Sistema Nervoso Central do sujeito, mas em meados dos anos 50 a Psicanálise já defendia que a gagueira era a expressão de conflitos inconscientes originários, por exemplo, de impulsos sádico-anais.

Esta perturbação e seus sintomas adicionais (tiques, como contrair os olhos ou bater os pés) são estressantes aos portadores e costumam trazer graves prejuízos a eles, que geralmente têm consciência do problema e temem ser julgados anormais pela sociedade. Sem tratamento adequado, podem retrair-se socialmente, desenvolvendo prejuízos de autoestima e sentimento de rejeição.

Quem que se sente rejeitado tende à auto-sabotagem: busca inconscientemente situações em que os outros não o aceitem, perpetuando o sentimento de rejeição e inferioridade. Paralelo, para provar que tem seu valor, esforça-se de toda maneira para se tornar aceito, e um desvio pode surgir bem aí. Alguns desenvolvem um mecanismo de compensação e de defesa para sua rejeição baseados no sentimento de superioridade expresso através da arrogância. É o perfil de quem se coloca preponderantemente acima do grupo, acha que é o centro do universo, o dono do ambiente, e quer falar mais alto que os demais.

O participante Diogo, do BBB 11, ilustra perfeitamente esta situação. Seu medo de ser rejeitado, talvez decorrente da perturbação da fala que apresenta, leva-o a buscar atenção do outro exageradamente. Disfarça-se pelo álibi da amizade, justificando-se na base da camaradagem, mas seus excessos o levam a um comportamento viscoso, pegajoso, de carinhos forçados em desconhecidos, ora seus melhores amigos ora piores inimigos - conforme lhe convêm. Ao ser votado ao paredão disse: "Quatro cabeças já estão mortas", sem esconder uma arrogância mascarada de segurança.

Esta cadeia de eventos torna Diogo chato perante boa parte do público, e Bial fez-lhe o favor de informar durante o discurso de eliminação de Maurício. Contudo, saber do problema tende a piorá-lo, porque desenvolverá novas manobras compensatórias ou reforçará aquelas já existentes. Ou seja, mais ele beijará seus concorrentes e tentará artificialmente agradá-los, seduzi-los, num ciclo perverso de conquista de espaço (à força) nos videoteipes, queimando-se incansalvemente a cada um deles. "Não pretendo ser mais um bonitinho. Quero fazer teatro. Vou entrar pra jogar, pra ser sujo, pra ser limpo, pra ser tudo. Vou entrar pra sair rico", disse.

O fato é que, para o público, existem dois Diogos. Quem assiste apenas à edição da TV Globo vê um belo loiro que raspa as suas pernas e as dos outros machos, que sorri o tempo todo, que é a promessa de salvação de uma edição até então entediante, justamente por achá-lo espontâneo, carismático, engraçado, dinâmico, guerreiro, malicioso, uma mistura de Kléber Bam-Bam (BBB1) com Marcão (BBB8). Mas para quem o acompanha no Pay Per View, Diogo é apenas um jovem superficial de pensamento confuso, um palhaço forçado que fala demais (ou tenta falar), infantilóide, hipersexualizado, inconveniente, que interrompe com "psiu" a fala das pessoas a toda hora para se sobrepor a elas, que aprendeu a dançar para se comunicar além do que a fala lhe permite, mas principalmente que transmite angústia extrema a um telespectador asioso por diversão ao nível de outras edições do programa.

Diogo parece ser a cara deste BBB 11: volátil, um gás altamente inflamável prestes a explodir e ser consumido no próximo instante. Não perdemos a esperança.

por @Dr_Marcelo

"BBB na Berlinda" com Michel Turtchin e Marcelo Arantes


No “BBB na Berlinda” desta semana, Mauricio Stycer conversou com Michel Turtchin, publicitário e participante do BBB 10, e Marcelo Arantes, médico que criou as maiores confusões na oitava edição do reality.

Com transmissão ao vivo pela TV UOL, o programa tratou dos principais fatos da semana na casa e trouxe à tona a questão do ritmo do reality show.

Durante o “BBB na Berlinda”, Stycer perguntou para os convidados porque o BBB 11 parece não ter decolado ainda, mesmo já tendo eliminado dois brothers. Para Michel, a impressão é de que as pessoas estão “engatinhando” na casa: “o BBB está morno. Ele só fica bom com a edição e só no paredão de ontem [25/1], a produção caprichou”, disse.

O psiquiatra Marcelo, que assina a coluna “BBB No Divã” no jornal “Extra” do Rio de Janeiro, também deu sua opinião: “assisto ao programa como fã e como crítico, e tenho minhas hipóteses. Acho que as melhores coisas que estão rolando não podem ser mostradas no resumo diário da Globo, são impróprias para o horário”, concluiu.

O médico do BBB 8 também disse que acha a edição fundamental para organizar tudo o que acontece no confinamento. Para Marcelo, além de ser a principal arma da Globo para manter o padrão de qualidade frente a outros produtos como “A Fazenda” (Record), a edição cria os personagens que o público quer ver: “ela faz o herói e o vilão. Quem participa do programa sofre o lado bom e ruim disso".

Apesar de Michel e Marcelo considerarem a edição um elemento essencial para garantir a permanência de um participante na casa, ambos acreditam que foram beneficiados: “a edição não me atrapalhou, eu que só fiz besteira”, disse o publicitário rindo. Já Marcelo foi enfático: “eu fui bem poupado! Lembro de ter falado coisas muito piores do que o que foi ao ar”, revelou.

Ao final do programa, uma enquete semanal é lançada para os visitantes do especial de Big Brother Brasil em UOL Televisão. Desta vez, os internautas poderão votar se Daniel tem razão em se ofender ao ser chamado de “senhora” por Jaqueline.

Sobre o assunto, Michel comentou: “Ele devia levar numa boa, parece que ele só fica fofocando!”. O motivo para sua opinião? A edição do BBB.

Todas as quartas às 15h30, Mauricio Stycer lança seu olhar crítico e bem humorado sobre o reality global no “BBB Na Berlinda” ao lado de convidados especiais. Programe-se e acompanhe.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

As promessas do 'BBB 11'



Precisa-se de galã. Tratar aqui

Rodrigão é bonito, mas está discreto demais. Pesa a responsabilidade de corresponder à virilidade que esperam dele — conquistar o coração da "princesa" Talula, por exemplo. Bial deu a dica: "Você não olha pra mulher nenhuma". Já Cristiano, que nas redes sociais é apontado como uma mistura de Diego Alemão e Marcelo Dourado, tem personalidade segura, arranca suspiros e foi porta-voz do povão, tirando Ariadna da casa.

Dupla perigosa

Daniel não foi selecionado à toa. Num reality onde se escolhem quase sempre estereótipos belos, o esteticamente desprivilegiado está com um pé na vilania. Lucival são as orelhas de Daniel, por isso talvez teremos o vilão de 2011 personificado numa dupla gay.

Bobo da corte

Paula faz tudo para aparecer, já avisou que é trissexual (leia-se lésbica) e promete cenas engraçadas. Diogo está perdido em uma irreverência forçada, mas convence os concorrentes, que, por acharem que o baiano é forte, podem evitar mandá-lo ao paredão.

Samambaia

Janaína, a evangélica sambista (pode, Arnaldo?), acredita ser feliz 24h por dia. A loura mal-humorada Diana se assumiu lésbica, fala rápido demais e só joga na retranca. Quem levará o troféu samambaia do ano?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Boca-do-povo e boca-do-lixo: A eliminação de Ariadna


Consta na classificação internacional de doenças, a CID-10, o transtorno de identidade de gênero, quando um indivíduo nasce com a genitália de um sexo, mas sua identidade sexual é a do sexo oposto. O assunto nunca foi mostrado com profundidade pelo horário nobre da TV aberta, talvez por isso a repercussão no país depois que a direção do BBB saiu à procura de uma transgênero e se encantou por Ariadna.

Este caso não apenas trouxe às rodas populares um tabu que acompanha a história da sexualidade, mas foi a esperança de algo novo no BBB. Para garantir o sucesso da empreitada, a cabelereira (ou ex-prostituta, como queiram) decidiu não revelar seu segredo durante o jogo, e alguns telespectadores sádicos aprovaram. Queriam ver os rapazes musculosos atraídos pelos ferormônios da moça e atracados a ela, para que pudessem, talvez, rir deles.

Embora quem olhe para Ariadna não enxergue claramente seu cromossomo Y nem suas taxas hormonais, livrar-se da genitália avantajada que pesou no meio de suas pernas não saiu nada leve para a jovem. O país é latino demais para enxergar com naturalidade a opção consentida pela castração do falo masculino. Nascer com ele, mas recusá-lo, soa falta gravíssima à virilidade do macho brasileiro e não há uma identificação pela maioria. Fora que "ser transexual" não é suficiente para gerar um bom personagem de reality, faltam ingredientes valorosos - mas exigi-los de seres humanos geralmente tão marginalizados pela família e sociedade seria demais.

Ariadna foi rejeitada pela mãe religiosa, sofreu maus-tratos do padrasto e saiu de casa aos 14 anos para se prostituir (vender o corpo é desprezá-lo). Depois morou anos na Itália e trocou de sexo na Tailândia. A vida a tornou esperta, mas não o suficiente para perceber o que público do BBB esperava dela. As privações educacionais que sofreu e os papos despudorados tornaram-na chula demais. Nem a estratégia de suspense envolvendo seu passado, quando desviou o foco ao revelar que se prostituía, nem a escolha equivocada de dois homossexuais de caráter duvidoso para compartilhar seu passado a salvaram.

A questão-chave que definiu a permanência de Ariadna no BBB foi o direito de não revelar ao público que é trangênero. Como numa amostra fechada da realidade, a candidata decidiu compartilhar com os telespectadores sua angústia em passar despercebida como mulher plena e, com exceção de dois gays, passou. Mas sua escolha se transformou em cilada, porque os espectadores do BBB não se sentem meramente expectadores, são PARTE do programa. E como participante, a maioria se viu enganada, e tratou logo de enxergá-la apenas como uma candidata a vilã vulgar que deseja vingar-se do mundo por razões diversas, e que escolheu como vítimas seus concorrentes do BBB e como testemunha o público do programa.

Ao que parece, Ariadna quis apenas preservar-se do desprezo e das brincadeiras de mau-gosto, que de fato aconteceram impiedosamente após sua saída. Mas a família brasileira precisou de um motivo para eliminá-la de sua sala antes que as crianças se encantassem por ela, por isso acreditaram que ela "mentiu" e deveria ser expulsa por isto. Antes de ouvir o belo texto de eliminação de Bial sobre sereias, a figura mitológica relacionada aos transgêneros, Ariadna sonhava com a fama e o quadro que ganhará na TV. Sonhe! Você tem direito de ser mulher e de sair da boca-do-lixo. Só não vai sair da boca do povo.