Texto publicado hoje no site De Cara Pra Lua:

Hoje é dia da entrevista com Marcelo Arantes. Confesso que estou nervosa, não pelo Marcelo, pois já nos conhecemos e ele é um doce de pessoa, mas pela responsabilidade de fazer esta entrevista ao vivo. Espero que dê tudo certo. O papo promete ser muito interessante já que vamos trocar idéias sobre um universo que nos fascina, o mundo das celebridades. Visto, vivenciado e revisto através do olhar inteligente desse participante da oitava edição do BBB.
Marcelo foi um dos jogadores muito defendido no De Cara Pra Lua. Sob nossa visão do jogo, o ano de 2008 já anunciava a necessidade do público aceitar um novo perfil de jogador, com um jogo mais franco, mais aberto e um discurso menos hipócrita. Marcelo naquela época representou exatamente esse pensamento, o nosso desesperado não à mesmice, ao óbvio, às atuações falsas e de fácil digestão. Apesar de a gente ter começado a oitava edição defendendo o jogo da Gyselle, ao longo do caminho e diante da recusa dos participantes em se jogar de cabeça no jogo e na realidade da casa, fomos mudando o foco de nossa atenção. Pressentíamos que o Big Brother Brasil começava a trilhar um rumo de scripts prontos cuja falta de originalidade e verdade colocava em risco toda a diversão e o futuro do programa.
O BBB é pródigo em histórias de meninas puras e recatadas que ao saírem da casa são as primeiras a posar para a Revista Playboy em troca de um bom cachê, de príncipes encantados charmosos e sem defeitos que as conquistariam e a levariam ao altar realizando as fantasias amorosas do público, de sofredores perseguidos e incompreendidos pelo grupo que deveriam ser protegidos de seus algozes a todo custo. Enfim, estávamos diante de uma infinidade de histórias que deram certo em outras edições e que estavam sendo copiadas sem a menor cerimônia, sem levar em consideração que cada jogador é um universo único e infinito. O que jogadores como Íris, Sabrina, Alemão, Dhomini, Jean Wyllys ou Grazi fizeram no BBB faz parte única e exclusivamente da história de cada um deles, era a verdade da vida deles, foi entendido pelo público justamente por ser original e verdadeiro, não pode ser replicado. Na oitava edição ficamos cansados de gente supostamente feliz e sem contradições, cheias de medos de expor suas mazelas e seus defeitos. Se não mostramos o nosso pior, fica impossível mostrar o nosso melhor.
O que os futuros participantes do BBB precisam entender é que o público, assim como eles, também ficou mais esperto e, portanto, sem chances de ser enganado. Nós também desenvolvemos um olhar atento, conhecemos e compramos histórias de verdade e não nos conformamos com cópias mal feitas e mal acabadas de outros jogadores. No final não importa muito a história a ser contada. O que é importante para grande parte do público é que essa história tenha a sua própria dinâmica, não seja uma sombra de algo que já passou. Principalmente o público da internet onde cresce a cada dia o número de atentos internautas, consumidores do PPV, que se tornou exigente e muito experiente em assuntos bigbrotheranos.
Não basta parecer inocente, tem que realmente sê-lo. Não tem problema se o recato não é sua praia, basta ter atitudes bacanas. Assumir que joga é lícito desde que você também discuta valores importantes nas relações humanas, tenha coerência e ética. Basta agir como uma pessoa decente, com suas dúvidas, contradições e pecados, mas cheio de desafios para o público desvendar, prenhe de sentimentos, cujo lado bonito da gente assistir se sobreponha aos defeitos que todo ser humano possui. A gente espera que participantes como Marcelo Arantes e edições como o BBB9 comecem a estabelecer um novo olhar sobre o programa. Marcelo seja bem vindo ao De Cara Pra Lua!
Hoje às 21 horas. As perguntas para Marcelo também podem ser mandadas para meu email: susanbbb@uol.com.br.


















